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22/02/2007
Hora de virar a página
        Toda empresa vive o drama do salto na curva de crescimento - o momento em que os negócios só irão adiante se tiverem reforço financeiro e nova mentalidade empresarial. Abertura de capital, novos sócios, empréstimos são alguns caminhos. Mas como escolher a melhor opção para o seu negócio?

        Quando o tão sonhado crescimento bate à porta, muitas empresas ainda não estão preparadas para abraçá-lo de forma sustentável. Crescer parece um caminho natural a organizações dirigidas por empreendedores, mas há um momento na curva de ascensão em que as companhias se vêem diante de um conflito: crescer ou estagnar? E a segunda opção sempre soa com um retrocesso diante da atual concorrência acirrada da economia global. Crescer ajuda a aumentar a rentabilidade, permite firmar parcerias com grandes empresas e faz bem ao ego. Mas, como os donos de pequenos e médios negócios sabem por experiência própria, não existe expansão sem sofrimento. E uma das dores mais comuns é a falta de capital para a expansão.

        Quando se chega a esse ponto, há alguns caminhos que podem dar aquele empurrão que faltava aos negócios. Os juros praticados pelo mercado financeiro e as exigências de fianças praticamente bloqueiam a negociação direta com bancos. Mas há algumas boas alternativas. Elas são bem diferentes entre si, por isso você precisará saber qual é a mais adequada ao seu tipo de negócio.

BNDES
        Uma das alternativas é a apresentação de projetos para financiamento junto ao BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Os juros praticados pela instituição estão bem abaixo do mercado (6,5% ao ano, no caso da Taxa de Juros de Longo Prazo, contra 27%, em média, no sistema financeiro) e há uma forte disposição para concessão de crédito. No ano passado, as liberações do BNDES chegaram ao recorde histórico de R$ 52,3 bilhões, valor 11,3% superior ao montante liberado em 2005, de R$ 47 bilhões.

        A instituição liberou recursos para a indústria (R$ 27,2 bilhões), comércio e serviços (R$ 3,7 bilhões), agropecuária (R$ 3,4 bilhões), infra-estrutura (R$ 9,4 bilhões), setor químico e petroquímico (R$ 2,5 bilhões), transporte terrestre (R$ 7,2 bilhões) e bens de capital (R$ 12,9 bilhões). Os destaques ficaram para os segmentos de metalurgia - crescimento de 43% nos aportes - e telecomunicações - com alta de 28% no ano.

CAPITAL DE RISCO
        Outra alternativa para financiar o crescimento é atrair o capital de risco. Os investidores e empresários ligados a esses fundos, também conhecidos como venture capital, apostam em empreendimentos mais arriscados, visando maior rentabilidade dos seus investimentos. Esses fundos são atraídos por projetos ligados ao desenvolvimetno de novos produtos, tecnologias e star-ups de empresas. Com isso, é possível atrair, além do capital, apoio e suporte especializado à gestão da empresa, juntamente com contatos e relações de mercado.

        Há, porém, algo a se observar: é da natureza dos venture capitais deixar o negócio depois de um tempo. Eles ficam apenas o período necessário para que a empresa consiga caminha com as próprias pernas e, claro, até que eles próprios obtenham o lucro desejado. Você precisa se planejar para isso.

BOLSA
        Outra via de capitalização é a venda de ações da empresa no mercado. Nos últimos dois anos a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou números expressivos de empresas abrindo capital, como forma de atrair recursos. Este modelo atrai investidores potenciais tanto no Brasil quanto no exterior, especialmente investidores institucionais - fundos de investimento, fundos de pensão e seguradoras.

A receptividade a essa modalidade de capitalização tem sido grande. Também são vistas com bons olhos as operações de reestruturação financeira voltadas à melhoria gerencial da empresa e, conseqüentemente, ao crescimento. No entanto, a abertura do capital não deve ser baseada apenas na necessidade imediata de captação de recursos. Ela profissionaliza a empresa e melhora a sua imagem perante o mercado. O que é ótimo, certo?
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